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À medida que o Bitcoin se consolida como uma alternativa concreta ao sistema financeiro tradicional, sua credibilidade vem sendo atacada nos meios de comunicação e redes sociais. Sejam as declarações emitidas por gente como Ray Dalio, um dos maiores gestores de fortunas do mundo, e Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, ou tweets publicados por Elon Musk, CEO da Tesla, mais de 400 “sentenças de morte” e outras acusações já foram proferidas sobre a criptomoeda desde de 2010. Isso é o que aponta um levantamento feito pela 99 Bitcoins, que cataloga todas as declarações envolvendo a criptomoeda. Mas, afinal, o que é verdade e o que não passa de falácia nisso tudo?

Para responder a essa pergunta, conversamos com Cazou Vilela, Chief Marketing Officer do Zro Bank. 

Inicialmente, é preciso contextualizar as declarações vistas em publicações de toda parte. Por exemplo, muito se fala sobre o consumo de energia nas atividades de mineração e, embora várias dessas alegações sejam verdadeiras, quando analisadas mais detalhadamente, perdem sua força argumentativa. É o caso da afirmação de que a mineração global consome, anualmente, a mesma quantidade de energia que a Argentina. Inicialmente, a comparação traz em si um tom alarmista, mas quando colocada em contexto, vemos que seu peso diminui consideravelmente. “Essa é uma verdade, mas temos que lembrar que apesar de ser um país enorme, a Argentina possui uma densidade populacional baixa, então a declaração impacta, mas o volume não é assim tão alto”, argumenta Cazou. Outro grande problema é a inexatidão do que se publica. 

 

Elon Musk afirmou que a concentração de mineradores ao redor do planeta estava em países que não usavam “energia limpa”. No entanto, como pontua o executivo do Zro Bank, “China, Estados Unidos, Ucrânia, e até mesmo o Paraguai são, hoje, importantes centros de mineração no mundo, porque há uma abundância de energia, na sua maioria, renovável, produzida por hidrelétricas”

Em segundo lugar, ao compararmos a mineração de Bitcoins com outras atividades, fica claro o quanto das acusações sofridas pela criptomoeda concernentes aos seus impactos ambientais não se sustentam. Tomemos, como exemplo, a indústria gamer que “consome dez vezes mais energia em um ano do que as atividades de mineração do Bitcoin. Não é por isso que devemos extinguir essa forma de entretenimento”, pondera Cazou. 

A situação fica ainda mais crítica quando analisamos o sistema financeiro tradicional. “Além da energia elétrica, ainda seria possível questionar o uso do papel-moeda e até a toxicidade das tintas usadas nas impressões. Mas esquecemos desses detalhes porque este já é um modelo estabelecido. Acredito que o Bitcoin e outras criptomoedas bem fundamentadas vêm sofrendo esse tipo de questionamento justamente porque despontam como uma alternativa real ao sistema que conhecemos há milênios”, afirma o CMO do banco digital.

Essas e outras imprecisões do mesmo tipo podem não parecer tão graves, mas contribuem fortemente para a disseminação de que o Bitcoin é uma moeda inimiga do meio ambiente. Tal injustiça para com a criptomoeda, que demanda um alto consumo de energia para se manter segura e, até certo ponto, rastreável, prejudica não apenas investidores, mas a economia global como um todo. 

Contudo, é preciso salientar que todas essas críticas, ao contrário do que possa parecer, são fundamentais para a evolução do Bitcoin. É por conta delas que a criação do Conselho de Mineração de Bitcoin (BMC) aconteceu. O BMC, que contempla executivos de empresas como Argo Blockchain; BlockCap; MicroStrategy e Riot, o fórum irá promover parcerias com os principais pesquisadores para coletar dados e educar o público sobre mineração de Bitcoin e melhores práticas de código aberto para mineradores, a fim de encorajar o crescimento do setor, além de promover, cada vez mais, o uso de energia limpa na rede. O BMC “trará mais informação dessa atividade (mineração) no mundo todo e vai fomentar boas práticas para os grandes players”, finaliza Cazou.