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No nosso cotidiano, estamos constantemente sendo expostos a diferentes termos e conceitos que podem parecer coisa de “outro mundo”. Quando estamos falando do mercado financeiro, este conceito é levado para outro nível. O que é a Taxa Selic, afinal?

O mundo das finanças possuiu seu próprio dialeto, que parece ser feito exatamente para excluir os leigos e curiosos de algumas das principais oportunidades do mercado. Contudo, barreiras existem para serem quebradas.

Entre os termos mais pertinentes do universo financeiro está a Taxa Selic, a taxa mais importante para a economia brasileira, mas que em muitos casos tem papel discreto no cotidiano da população.

Como ela funciona, na teoria e na prática, é o que veremos a seguir.

O preço do risco: o que é a Taxa Selic

Primeiramente, antes de entender o que é a Taxa Selic e qual o seu papel no mercado, você precisa estar com o preço do risco na ponta da língua.

Já ouviu falar que “todo mundo tem um preço”? Esse ditado popular nos ajuda a entender melhor o conceito de precificação de risco, que é o conceito mais básico por trás da Taxa Selic.

O que é a taxa selic? Entenda!

Quando falamos de risco no mercado de capitais, estamos falando de perdas financeiras. E, infelizmente, no mercado financeiro e na bolsa as perdas existem aos montes: depreciação, desvalorização, oneração e até mesmo o famoso “calote”.

Assumir um compromisso fiscal possui sempre duas pontas e você certamente não quer estar do lado perdedor. Contudo, em uma relação financeira (seja ela qual for), algum risco sempre precisará ser assumido.

Por exemplo, quando uma instituição bancária realiza um empréstimo a uma pessoa física, ela está mais do que ciente do risco existente de que o contratante não honre com a sua dívida.

Para se proteger destes casos, os juros são cobrados. Uma forma de amenizar o risco ao qual a instituição está exposta de perder o recurso.

Se todo mundo tem um preço, com o dinheiro não seria diferente e o juro é o preço que você paga por isso.

Essas relações são extremamente comuns no mercado financeiro, já que os juros são o meio mais simples de se “comprar” dinheiro e de se fazer o mercado girar.

A taxa de juros (nem tão) universal

Neste sentido, não seria interessante uma taxa universal de juros para definir uma meta de quanto deve ser o preço por tomar um empréstimo?

A Taxa Selic trabalha neste conceito, ao traçar uma taxa básica de juros para as principais atividades da economia brasileira. Vale lembrar que a Selic é a Taxa do Brasil, portanto, demais países possuem suas respectivas taxas de juros.

O que é a taxa selic? Entenda!

O termo Selic é uma abreviação para o Sistema Especial de Liquidação e Custódia, que é um mercado virtual em que os títulos são negociados diariamente por instituições financeiras.

Nesse sentido, ela reflete os empréstimos de curto prazo (de um dia para outro) negociados entre os bancos.

Entretanto, é importante destacar que apenas o Banco Central e instituições financeiras têm acesso a esse espaço e não é aberto a pessoas físicas.

De forma mais simples, o valor da Taxa Selic indica quanto o governo paga de juros para as instituições financeiras que compram títulos públicos (dívida do governo) do Tesouro Nacional.

O que é a Taxa Selic, na prática

Mas como este conceito funciona na prática do mercado e até mesmo afetam seus investimentos? A resposta é: Política Macroeconômica.

Infelizmente, voltamos ao “economês”, mas este conceito não é nenhum monstro de sete cabeças.

Sabemos que vivemos em uma economia e ouvimos por aí diversas expressões como: “a economia está em crise” ou algo como “precisamos voltar a crescer nossa economia”. Mas você sabe como isto é feito?

A Política Macroeconômica tem o papel de definir as metas para uma economia, como conter a inflação ou aumentar o consumo da população. E a principal ferramenta para tirar estes conceitos do papel é a Taxa Selic.

Ao definir uma Taxa Básica de Juros, a política estabelece tendências. Por exemplo, em um cenário de inflação alta, como o que estamos vivendo, os juros sobem.

A alta dos juros torna mais caro para se investir e isso afeta toda a cadeia de produção, além de alimentar o debate entre o investimento especulativo e o produtivo.

Tomemos um exemplo mais prático: a Bolsa de Valores. Investidores estão cientes de que as ações são títulos de renda variável. Logo, estão diretamente expostas ao risco da volatilidade do mercado e da perda de recursos.

Se a Selic está alta, os títulos de renda fixa terão uma maior taxa de rentabilidade, pois estão seguindo a taxa básica de juros. A partir do momento que a renda segura dos títulos passa a rentabilidade da renda variável… O caos começa no mercado de ações, e pode começar também diretamente no seu bolso.

Investidores tiram seu capital da produção (empresas) e levam para e especulação (títulos). Isso em si gera um efeito dominó na economia em geral e, em algum momento, vão afetar os demais indicadores.

Afinal, se as empresas tem menos recursos para produzir, a produção nacional cai, o PIB segue o indicador, e o efeito dominó se reinicia.

A Taxa Selic representa a linha de frente destes movimentos, por isso estar atento à sua meta e entender sua real aplicação no “dia-a-dia” do mercado financeiro é um dos primeiros passos a serem tomados antes de se jogar de cabeça no universo dos investimentos.

Por fim, se você quer entender ainda mais sobre a Taxa Selic, sua relação com o mercado e com a Bolsa de Valores, não deixe de acessar o Guia do Investidor. Para isso, basta clicar aqui.

 

Autor: Leonardo Pereira | LinkedIn

Graduado em Economia e colaborador do Guia do Investidor